ChatGPT contorna regras e gera imagens chocantes com deepfakes e violência sexual
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ChatGPT contorna regras e gera imagens chocantes com deepfakes e violência sexual

Uma investigação da startup britânica Mindgard revelou que o ChatGPT pode ser explorado para gerar imagens consideradas chocantes e ilegais, incluindo deepfakes, violência gráfica e conteúdos sexualizados.

Jeremias Prata19 de junho de 20263 min de leitura
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Uma investigação britânica descobriu que o ChatGPT consegue contornar as leis e reproduzir imagens consideradas chocantes e ilegais, incluindo deepfakes e violência gráfica.

A mais recente versão pública do ChatGPT demonstrou ser vulnerável à capacidade de gerar imagens sexualizadas, violentas e extremamente gráficas, segundo investigadores da startup britânica de segurança em IA Mindgard, relata a BBC. A equipa de investigadores descobriu que pequenas alterações a um prompt amplamente partilhado, originalmente concebido para produzir resultados humorísticos, eram suficientes para levar o modelo a criar conteúdos perturbadores, incluindo cenas de violência sexual e ferimentos graves.

Após ser contactada pela BBC, a OpenAI afirmou ter introduzido novas salvaguardas para impedir que o chatbot respondesse a esse tipo de instruções, garantindo que possui “múltiplas camadas de proteção” contra violações das suas políticas de utilização. Apesar dessas medidas, os investigadores afirmam que pequenas variações adicionais continuam a contornar as proteções, permitindo gerar imagens que o fundador da Mindgard, Peter Garraghan, descreveu como “muito grotescas, por vezes sexualizadas, por vezes ambas”.

O investigador sublinha que o prompt utilizado não especificava qualquer conteúdo violento ou sexual, mas o modelo produziu esse tipo de imagens “por sua própria iniciativa”, algo que considerou particularmente preocupante. A Mindgard, cuja atividade se foca em red-teaming, ou seja, testar modelos para encontrar falhas de segurança, alertou que a vulnerabilidade pode permitir a criação de conteúdos ainda mais graves caso seja explorada de forma mais profunda.

O investigador Jim Nightingale, responsável por identificar o problema, afirmou ter ficado “abalado e em lágrimas” com algumas das imagens geradas. Entre os exemplos observados estavam a imagem de um homem com um ferimento grave na cabeça e a de uma jovem morta, com sinais de violência sexual, que o próprio ChatGPT intitulou “Grim crime scene aftermath”.

Noutra imagem, o modelo criou a representação de uma mulher amarrada e amordaçada num quarto sujo, com expressão de medo, atribuindo-lhe o título “abandoned in fear and restraint”. Outras imagens incluíam nudez e poses sexualizadas, embora todas as figuras fossem geradas artificialmente.

A Mindgard recorda ainda que, apesar de a OpenAI afirmar ter corrigido vulnerabilidades anteriores, continua a ser possível criar deepfakes de pessoas reais nuas através de métodos alternativos, algo que a empresa demonstrou à BBC com novos exemplos. A empresa teme que, com mais tempo e exploração, o modelo possa ser induzido a produzir conteúdos ainda mais perigosos.

Especialistas em ética e segurança de IA afirmam que o impedimento total desses abusos é extremamente difícil. A investigadora Rumman Chowdhury, CEO da Humane Intelligence, descreve o processo como “um jogo do gato e do rato”, em que cada melhoria nas proteções é acompanhada por novas formas de as contornar. Sublinha que os modelos não compreendem a intenção, o contexto ou a moralidade, o que os torna incapazes de distinguir entre pedidos legítimos e abusivos, entre o que está certo ou errado.

O governo britânico reconhece que as salvaguardas estão a melhorar, mas admite que “há mais trabalho a fazer” para garantir que modelos futuros sejam lançados com níveis adequados de segurança. O Instituto de Segurança em IA do Reino Unido continuará a trabalhar com empresas para reforçar rapidamente as proteções antes de novos modelos chegarem ao público, afirma a publicação.

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