Segundo o Experis Tech Talent Outlook, a Projeção para a Criação Líquida de Emprego no setor das TI em Portugal fixa-se nos 32% para o terceiro trimestre de 2026, uma queda de 18% face ao trimestre anterior. A automação surge como o principal motivo apontado pelas empresas que preveem reduzir equipas.
O mais recente Experis Tech Talent Outlook, divulgado esta quarta-feira, traça um retrato de contenção moderada nas intenções de contratação do setor tecnológico português. A Projeção para a Criação Líquida de Emprego, o indicador que mede a diferença entre empregadores que planeiam contratar e os que antecipam reduções de pessoal, fixa-se nos +32% para o terceiro trimestre de 2026, depois de três trimestres consecutivos de crescimento.
Ainda assim, o setor mantém-se como sendo o segundo com as melhores perspectivas de contratação em Portugal, apenas atrás da Construção e Imobiliário. A nível internacional, Portugal ocupa o 11.º lugar entre os 42 países e territórios analisados no estudo. Os números absolutos revelam que 46% dos empregadores tecnológicos portugueses pretendem aumentar as suas equipas no terceiro trimestre.
Os números revela ainda que 40% das empresas esperam manter o número atual de trabalhadores, e 14% antecipam ter de reduzir a força de trabalho. A queda de 18 pontos percentuais face ao trimestre anterior, depois do pico atingido no segundo trimestre de 2026, contraria a tendência de recuperação que se vinha a desenhar, ainda que o valor atual continue 13 pontos percentuais acima do registado no mesmo período do ano passado.
Nuno Ferro, Brand Leader da Experis, enquadra o momento sem alarmismo, afirmando que “o contexto global e a expectativa de ganhos de eficiência associados à adoção da Inteligência Artificial estão a levar algumas empresas a abrandar as suas intenções de contratação ou mesmo a reduzir equipas. No entanto, mais do que uma redução generalizada da procura por talento, estamos a assistir a uma alteração dos padrões de contratação.”
Os dados do Global Talent Shortage do ManpowerGroup confirmam essa leitura. Segundo estes, a literacia em IA é hoje uma das competências mais difíceis de recrutar para 35% dos empregadores nacionais, nos quais 30% apontam dificuldades específicas na contratação de profissionais para o desenvolvimento de modelos e aplicações de inteligência artificial. Há ainda uma mudança relevante no perfil das contratações que vale a pena destacar.
Mudanças na contratação, e os riscos da automação A expansão das organizações continua a ser o principal motivo para reforçar equipas, sendo esta apontada por 44% dos empregadores, mas esse valor caiu 8 pontos percentuais face ao trimestre anterior. Em contrapartida, a contratação para projetos específicos ou iniciativas temporárias disparou de 19% para 39%, tornando-se o segundo principal fator de recrutamento.
Ao mesmo tempo, a tecnologia como motivo diretamente referido pelas empresas recuou de 38% para apenas 11%, sendo este um claro sinal de que, segundo a Experis, a IA deixou de ser vista como um fator emergente de transformação e passou a estar integrada no funcionamento normal das organizações tecnológicas.
Entre as empresas tecnológicas que preveem reduzir colaboradores, a automação apresenta-se como sendo o fator mais citado. Este fator, que foi referido por 45% dos empregadores, já tinha sido a principal razão no trimestre anterior, na altura por 50% das empresas. A otimização de processos, que leva à consolidação de funções, mantém-se como sendo o segundo fator mais referido, com 36%, face aos 33% no trimestre anterior.
O término de projetos e os desafios geopolíticos terminam a lista, sendo cada um deles referido em 27% dos empregadores como motivos para a redução das equipas. A leitura da Experis aos dados apresentados é que estes revelam existir uma reconfiguração das necessidades de talento, e não um corte generalizado de pessoal.
Portugal acompanha uma tendência global de moderação Contudo, o abrandamento português não é um caso isolado, segundo os dados apresentados pelo estudo da Experis. A nível global, o setor de Tecnologia & Serviços de IT regista uma Projeção de +35%, uma queda de 7 pontos percentuais face ao trimestre anterior, mas mantém-se como o setor com as perspetivas de contratação mais sólidas a nível mundial.
Globalmente, metade dos empregadores do setor prevê aumentar contratações, 33% espera manter os níveis atuais e 15% antecipa reduções. Apenas 14 dos 42 países e territórios analisados evoluem positivamente face ao mesmo período de 2025. Este é um sinal de que a moderação nas intenções de contratação tecnológica é hoje a norma, e não a exceção, à escala global.
